Comunicar Com São Tomé e Príncipe

O alto custo da Tecnologia de Informação para quebrar a muralha entre a diáspora são-tomense no Reino Unido e a terra natal


Nos tempos remotos, a informação era a chave do progresso e do sucesso, quem a detinha ganhava as grandes batalhas, estava sempre na linha de frente e detinha o poder. Esse conceito foi-se generalizando, tornando-se cada vez mais óbvio, de tal modo que foram imperativos os avanços tecnológicos de modo que a informação e a comunicação fossem mais rápidas, seguras e eficientes O homem deixou de usar pombos, navios e cavaleiros mensageiros, passando pelos correios, chegando as ondas hertzianas, satélites e fibra ópticas para estabelecerem os contactos entre vários pontos do mundo. Estamos, sem dúvida na era da comunicação e da informação digital.

A questão que se nos coloca, no entanto, é: qual é o custo e a sustentabilidade dessas novas formas de comunicação? E qual é a posição das grandes indústrias de comunicação, perante a origem e o destino das comunicações? Alguns modelos de comunicação, rudimentares, ainda continuam a ser perpetrados por questões de conveniências pois que a “escrita viva” (caneta e o papel) ainda se revela ser a forma de informação e de comunicação, até então, mais autentica e parece criar menos cepticismo que qualquer outra! Mas quando a questão consiste em transmitir um recado; ouvir a voz de um parente ou amigo; alertar sobre um assunto urgente, etc., parece que a distância entre o Reino Unido e São Tomé e Príncipe torna-se maior em relação ao Brasil, Jamaica, Índia e outros pontos do mundo.

Além de alguns testemunhos recolhidos, algumas entidades associativas e/ou empresariais já experimentaram grandes dificuldades de comunicação com São Tomé e Príncipe via telefónica, na tentativa de diligenciar várias questões protocolares e institucionais. E por vezes, quando essa comunicação é estabelecida, o custo por minuto das chamadas é exorbitante! A questão tem constituído uma das preocupações desta diáspora porquanto que o meio alternativo (a internet), através das plataformas de comunicação como “live chat” do Messenger, o Skype e outras ferramentas disponíveis, pese embora a sua utilidade, não se afigura ser a forma de comunicação mais elegante no contacto entre as entidades, e mesmo sob o ponto de vista pessoal, torna-se insuficiente, senão ineficiente, atendendo ao número limitado de pessoas com essa acessibilidade, por diversos factores.

Do que se tem observado, mesmo pelas grandes operadoras de comunicação móvel britânica, muitas vezes, não se consegue estabelecer o contacto com os terminais telefónicos em São Tomé e Príncipe, e quando há sucesso, as chamadas são taxadas a um preço completamente disparatado se formos a comparar com o preço standard das comunicações internacionais. Alguns são-tomenses, ou não, que tenham tentado ligar para São Tomé e Príncipe à partir do Reino Unido afirmam terem conseguido estabelecer o contacto com mais facilidade através das novas operadoras/agentes de comunicação emergentes no mercado, com ajuda dos operadores dos call center’s, mas ainda persiste o eterno problema de comunicação com estes quando se pretende inquirir previamente sobre o custo das chamadas e a dificuldade dos mesmos em estabelecerem os contactos pois que São Tomé e Príncipe enquadra-se na categoria de “outros destinos”, para não dizer desconhecido. Se o assunto for de carácter urgente, acredito que acaba por prescrever pelo tempo que se leva para explicar ao operador do “call center” onde é que fica São Tomé e Príncipe.

Não se sabe se a tecnologia usada pelas operadoras difere conforme o destino das chamadas, ou se será meramente uma questão de estratégia comercial dessas operadoras que estarão a tirar o proveito das nossas vulnerabilidades. Pairam algumas dúvidas sobre os critérios pelos quais se baseiam para taxarem os valores das chamadas, e a grande curiosidade é que, vendo São Tomé e Príncipe na perspectiva de um país de terceiro mundo, ainda assim, o contacto recíproco já é estabelecido com mais facilidade e parece existir um tarifário fixo.

Acredio que a operadora são-tomense deva ter um papel mais interventivo, ou senão, ao menos, fornecer a explicação para casos em que, muitas vezes, a ligação para os números atribuídos e em funcionamento normal em São Tomé e Príncipe não poderem ser estabelecidas pelo facto de, segundo a operadora britânica, os números não se encontrarem atribuídos, e, consequentemente, as chamadas serem reencaminhadas automaticamente para um terminal desconhecido ou para o centro de operações com operadores a falarem idiomas desconhecidos. E o mais bizarro!, o saldo é deduzido nessas chamadas e não se sabe a favor de quem? É certo que as telecomunicações são suportadas por algorítmicos complexos e métodos de codificação superavançados, mas esse não parece ser o motivo que sustente o elevado custo pois que estamos na era digital, e mais ainda, a mesma situação não se aplica para outros destinos das chamadas nas mesmas circunstâncias! Pelo sim ou pelo não, esses são os constrangimentos até que se consiga estabelecer o contacto telefónico directo para São Tomé e Príncipe, e até lá, nós vamos pagando um preço altíssimo.

Essa situação deixa a diáspora são-tomense no Reino Unido numa posição mais desfavorável, tendo esta que aceitar o título de “ingrata” que lhe é injustamente atribuída pelos filhos da terra por falta de novidades frequentes. Por não me ter sido indiferente o comentário irónico de um conhecido que comigo partilhou uma conversa sobre o assunto, tenho a pertinência de partilha-lo: “Não acredito na telepatia, e como não estou em condições de gastar £3 por minutos para falar apenas 45 segundos, então, quando o meu vizinho desligar o modem só me restam duas alternativas: Ou acendo a fogueira, abano lenço, aceno a mão e grito, sei lá.., ou então, voltamos a era pictográfica e esculpo o meu recado no murro de London Bridge e um familiar há-de vir a Londres e ler... Tanto tempo sem falara para terra, eu até esqueço-me que sou são-tomense”.

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